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De Volta ao Básico | Post #9

  • Foto do escritor: FIO Legal Solutions
    FIO Legal Solutions
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Autora: Luiza Rey

Os NDAs da sua startup estão a proteger as coisas erradas. Todo o fundador quer um NDA assinado antes da primeira reunião.


Parece seguro — como trancar a porta antes de mostrar a planta. Mas, na prática, a maioria dos NDAs protege mais o outro lado do que a si.


Confidencialidade ≠ Propriedade

Foto em close das mãos de uma pessoa de negócios a assinar um Acordo de Confidencialidade (NDA) numa mesa de reuniões, ilustrando a falsa segurança que o documento pode oferecer sem a devida estratégia.

Um NDA apenas diz: “Você não pode divulgar o que eu lhe disser.”


Não diz: “Eu sou o dono da ideia.”


E definitivamente não impede que alguém construa a sua própria versão mais tarde — desde que não tenha usado a sua informação confidencial para o fazer.


Portanto, se a sua “grande ideia” é apenas um conceito — sem código, protótipo ou segredo comercial por trás — um NDA é uma falsa sensação de segurança.


Exemplo real


Uma startup portuguesa que apresentava uma ferramenta de IA para o retalho obrigou os investidores a assinar NDAs antes de cada demonstração.


Três meses depois, um investidor recusou o negócio — e outra empresa do seu portfólio lançou um produto muito semelhante. Quando os fundadores tentaram alegar “roubo de ideia”, o seu NDA foi inútil.


Foto realista de um empreendedor preocupado num espaço de coworking a olhar para o ecrã do portátil, representando a frustração ao descobrir que um concorrente lançou um produto semelhante.

Porquê?


O NDA cobria informações confidenciais, não ideias discutidas. E o pitch deck não incluía quaisquer segredos comerciais — apenas um conceito e capturas de ecrã do produto viradas para o público.


Resultado: nenhuma violação, nenhuma reclamação e muita frustração.


Quando os NDAs realmente importam


  • Quando partilha detalhes técnicos (algoritmos, código-fonte, modelos de preços).

  • Ao trocar listas de clientes, dados financeiros ou dados proprietários.

  • Ao contratar freelancers ou agências que acederão a sistemas internos.


E quando não importam?


  • Chamadas de introdução com investidores ou aceleradoras.

  • Reuniões iniciais de brainstorming.

  • Demo days ou pitch decks públicos.


O uso excessivo de NDAs faz com que pareça defensivo — e, legalmente, acrescenta quase nenhum valor.

Foto de dois colegas a colaborar ativamente num projeto num escritório moderno e iluminado, simbolizando que a execução e a parceria são mais eficazes do que o segredo.

A jogada mais inteligente


  • Proteja o que é real: cessões de PI, cláusulas de invenção, marcas registadas e contratos.

  • Mantenha os NDAs curtos e mútuos — ou ignore-os quando o risco for mínimo.

  • Foque-se em construir algo suficientemente único para que o segredo não seja a sua principal defesa.


Porque, nas startups, a execução vence a confidencialidade sempre.


📚 Leitura Extra


Por Luiza Castro Rey

 

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